quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Presidenta Dilma sanciona lei de correção da tabela do imposto de renda



A presidenta Dilma Rousseff sancionou com veto o Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 528, que trata da correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Foi vetado o dispositivo que permitia a dedução, no Imposto de Renda, de valores relativos a planos de saúde privados pagos aos empregados domésticos.

Publicada na edição desta segunda-feira (29) do Diário Oficial da União, a justificativa ao veto é que a proposta de dedução distorce o princípio da capacidade contributiva. A justificativa diz ainda que entidades representativas da categoria profissional questionam o efetivo benefício da proposta aos empregados domésticos.

"Ao permitir que sejam deduzidos da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física o valor das despesas com plano de saúde pago pelo empregador doméstico em favor do empregado, a lei estará criando exceção à regra de que a dedução se aplica ao contribuinte e aos seus dependentes, visto que este é o núcleo familiar suportado pela renda produzida. Alcançando despesas com terceiros, a dedução passaria a constituir-se em benefício fiscal", diz o texto com a exposição de motivos para o veto.

A nova lei reajusta em 4,5% ao ano os valores da tabela do IRPF até 2014. Com isso, a faixa de rendimentos mensais isenta do imposto passou, este ano, de R$ 1.499,15 para R$ 1.566,61.


Fonte: Agência Brasil

Com R$ 24,9 bilhões, bancos atingem maior volume de lucros do 1º semeste



As 335 empresas brasileiras de capital aberto tiveram lucro de R$ 108,9 bilhões no primeiro semestre do ano, alta de 29,8% ante o mesmo período de 2010. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, dia 29, pela Economatica.

O crescimento nominal no período, de R$ 25 bilhões, foi mais fortemente influenciado pelo setor de mineração, que teve alta de R$ 12,3 bilhões entre janeiro e junho.

O setor que concentrou o maior volume de lucro foi o bancário, representado por 24 instituições com R$ 24,9 bilhões - valor 19% superior ao do primeiro semestre de 2010.

Na sequência, aparece o setor de petróleo e gás, com cinco empresas que juntas atingiram R$ 21,9 bilhões, 33,7% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Somente a Petrobras respondeu por R$ 21,5 bilhões do resultado.

O setor de mineração aparece na terceira posição, com lucro de R$ 21,8 bilhões, valor 131,4% superior ao do mesmo período de 2010. Apenas a Vale lucrou R$ 21,5 bilhões no período.

O levantamento mostra ainda que dos 24 setores listados pela Economatica somente o de eletroeletrônicos apresenta prejuízo no primeiro semestre de 2011, com queda de R$ 289 milhões.


Fonte: Folha.com

Berzoini será relator na Câmara do projeto que ratifica Convenção 158 da OIT



O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara Federal, deputado João Paulo Cunha (PT/SP), designou o deputado Ricardo Berzoini (PT/SP) para relatar a Mensagem nº 59/2008, do Poder Executivo, que submete ao Congresso Nacional a ratificação da Convenção 158 da OIT, responsável por proteger o trabalhador contra demissão imotivada.

A matéria foi rejeitada, no dia 10 de agosto, por 17 votos a 8, pela Comissão do Trabalho da Câmara, presidida pelo deputado Sílvio Costa (PTB-PE), com parecer contrário do deputado Sabino Castelo Branco (PTB-AM). Votaram contra os deputados Vicentinho (PT-SP), Daniel Almeida (PCdoB-BA), Eudes Xavier (PT-CE), Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), Assis Melo (PCdoB-RS) e Policarpo (PT-DF).

A sessão foi acompanhada por inúmeros dirigentes sindicais da CUT de todas as regiões do País, que também marcaram presença em audiências e fizeram panfletagens nos gabinetes e corredores da Câmara e do Senado.

A Contraf-CUT participou das manifestações, representada pelo presidente Carlos Cordeiro, o vice-presidente Neemias Rodrigues, secretário-geral Marcel Barros, o secretário de Organização do Ramo Financeiro, Miguel Pereira, a secretária de Assuntos Jurídicos, Mirian Fochi, e diretora Elaine Cutis.

"Tivemos 16 milhões de contratações, mas por outro lado 15 milhões de desligamentos em todo o Brasil. Temos que combater a precarização do trabalho e a rotatividade. Não há como falarmos de trabalho decente se não há garantias para o trabalhador", defende Miguel.

A Convenção 158 da OIT já havia sido rejeitada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara.

Berzoini antecipa parecer favorável

Berzoini, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e da extinta Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT), explicou que a CCJC julga apenas a constitucionalidade da proposição e não seu mérito, e como desse ponto de vista não há nenhuma inconstitucionalidade na Convenção 158, seu parecer será pela aprovação da Mensagem.

"Do ponto de vista da constitucionalidade, juridicidade e legalidade, não há porque não regulamentar a Convenção 158, até porque ela apenas torna mais explícito algo que já está previsto na Constituição Federal", afirma Berzoini.

O deputado refere-se ao inciso 1º do artigo 7º da Constituição que diz que "são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: 1 - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos". Berzoini lembra, no entanto, que essa lei complementar que o inciso prevê nunca foi confeccionada.

"Quando analisamos o texto da Constituição vemos que ela busca induzir a manutenção máxima do emprego, o mesmo princípio da Convenção 158, sendo que esta é ainda mais ampla porque estabelece princípios contra a demissão injustificada", avalia Berzoini.

O deputado não informou quando apresentará seu parecer, mas disse que procurará fazê-lo o mais breve possível. O parecer é votado pelos demais parlamentares da comissão e, caso aprovado, a Mensagem será encaminhada para apreciação e votação no plenário da Câmara.

O que é a Convenção 158 da OIT

A solicitação de ratificar a Convenção 158 tem por objetivo garantir ao trabalhador condições mínimas de proteção e segurança que nada tem a ver com "estabilidade" compulsória, como tentam vender os parlamentares direitistas.

A Convenção, ratificada por 35 dos 183 países que integram a OIT, limita a dispensa de empregados aos casos de "justa causa", proibindo a demissão imotivada. A Convenção estabelece uma série de requisitos quanto ao prazo, forma e procedimento.

No que tange ao término das relações contratuais trabalhistas, sem justa causa, o convênio multilateral adota, em seu art. 4º, o preceito de reintegração no emprego.

Desta forma, a Convenção 158 protege o trabalhador contra demissões injustificadas, motivadas por filiação sindical; exercício de mandato de representação dos trabalhadores; apresentação de queixa ou participação em processos contra o empregador por violações da legislação; razões relacionadas a raça, cor, sexo, estado civil, responsabilidades familiares, gravidez, religião, opinião política, ascendência nacional ou origem social; ausência do trabalho durante licença-maternidade; e ausência temporária por força de enfermidade ou acidente.

Ela determina também, entre outras medidas, que o empregado não poderá ser dispensado por motivos relacionados a seu comportamento ou desempenho sem que lhe seja dada oportunidade de defesa.

O Brasil ratificou a Convenção 158 da OIT em janeiro de 1996, mas deixou de ser signatário em novembro de 1997, por meio de decreto do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Campanha Nacional

A ratificação da Convenção 158 é uma das reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários que já começou a mobilizar a categoria em todo país. A aprovação da Convenção, junto com as demais reivindicações de emprego - ampliação das contratações, o fim da rotatividade, a inclusão bancária sem precarização e o combate às terceirizações -, está na pauta que será debatida com a Fenaban nesta terça e quarta-feira, dias 30 e 31.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo

TST manda Santander enquadrar empregado de processamento como bancário



A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-I) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) não acolheu recurso do Banco Santander e manteve o enquadramento como bancário de empregado de prestadora de serviço de processamento de dados integrante do mesmo grupo econômico do banco.

A SDI-I entendeu que, embora a empresa de informática também prestasse serviço para instituições não bancárias, o que poderia desconfigurar o vínculo empregatício (Súmula 239 do TST), essa prestação de serviço era apenas eventual, não configurando a sua atividade principal.

Com a decisão, a SDI-I manteve o julgamento da Sétima Turma do TST. A Turma, como o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), entendeu que, no caso, os serviços de processamento de dados tinham como atividade primordial atender o serviço do banco. "Apenas eventual e não primordialmente, prestava-se serviços a outras empresas do mesmo grupo econômico e a terceiros, sem identificar se as primeiras eram ou não empresas bancárias, não há como se reconhecer contrariedade à Súmula nº 239 desta Corte".

De acordo com a Súmula 239, o enquadramento de bancário empregado de prestadora de serviço de processamento de dados do mesmo grupo econômico só não ocorre "quando a empresa de processamento de dados presta serviços a banco e a empresas não bancárias do mesmo grupo econômico ou a terceiros".

Ao analisar o recurso de revista do banco, a ministra Delaíde Miranda Arantes, relatora na SDI-I do TST, ressaltou que a jurisprudência do TST "já definiu que a prestação ínfima ou inexpressiva de serviços a outras empresas não bancárias do mesmo grupo econômico ou a terceiros não descaracteriza a condição de bancário do empregado".


Fonte: TST

Receita autua bancos que inflam calote de clientes para sonegar impostos



A Folha de S.Paulo dedicou a manchete princial de capa da edição desta segunda-feira, dia 29, às autuações da Receita Federal nos bancos. O título é "Bancos inflam calote para sonegar, afirma Receita".

A reportagem diz que "para pagar menos impostos, bancos têm declarado inadimplência maior do que a verificada pela Receita em suas carteiras de crédito, informa Lorenna Rodrigues. O que as instituições deixam de receber dos clientes pode ser abatido do que é pago ao governo federal. Até julho, as autuações chegaram a quase R$ 200 milhões - valor 20% superior ao de todo ano passado".

Confira a íntegra da reportagem no Caderno Mercado da Folha:

Bancos declaram inadimplência maior

Ao inflarem valor do calote de clientes, instituições pagam menos Imposto de Renda e contribuição sobre lucro

Até julho, fisco autua em quase R$ 200 mi bancos que adotam esse recurso; no ano, valor pode somar R$ 600 mi

A Receita Federal descobriu que bancos estão declarando uma inadimplência maior do que a realmente verificada em suas carteiras de crédito como forma de pagar menos impostos.

Dados obtidos pela Folha mostram que, até julho deste ano, as instituições financeiras foram autuadas em quase R$ 200 milhões por terem informado um calote maior do que o observado pelo fisco. Esse valor já supera em 20% o total de notificações de todo o ano passado.

A expectativa é que as notificações -que incluem os valores dos impostos que deixaram de ser recolhidos, multas e juros- cheguem a R$ 600 milhões neste ano e aumentem ainda mais em 2012.

O que os bancos deixam de receber de seus clientes pode ser abatido da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Mas é preciso observar uma série de regras, como prazos para considerar o crédito perdido (que varia de seis meses a dois anos) e a abertura de processo judicial contra o devedor.

Para os bancos, o que ocorre é uma interpretação diferente da lei pelas instituições e pelo fisco.

Segundo a Receita, porém, os bancos têm, cada vez mais, informado perdas que contrariam o que prevê a lei.

A delegacia especializada em instituições financeiras de São Paulo (que abrange os principais bancos) tem 30 processos em curso para investigar a chamada "perda em crédito".

Desses, pelo menos três poderão gerar processos criminais, ou seja, há indícios de que os bancos cometeram fraude e informaram dados sabidamente errados para diminuir o imposto devido.

Há dúvidas, também, quando o banco vende uma carteira de "créditos podres" para outra empresa cobrar.

A instituição financeira geralmente abate o valor que deixou de receber do cálculo do imposto.

A Receita, porém, entende que o banco desistiu da cobrança e não poderia deduzir o valor da base de cálculo.

"Os bancos, às vezes, têm dificuldades operacionais para obter as comprovações de que fizeram a cobrança judicial de determinados créditos, dado o grande volume de operações. Também há divergências entre fisco e contribuintes quanto aos documentos que efetivamente comprovam tais providências", diz Lavínia Junqueira, advogada especialista em tributação bancária do escritório Trench, Rossi e Watanabe.

Para pagar menos, instituição faz planejamento tributário

O maior abatimento nas perdas com inadimplência dos clientes é um tipo de planejamento tributário -artifício contábil usado pelas empresas para pagar menos impostos.

Quando a Receita verifica que esse planejamento é abusivo, ou seja, vai contra o que prevê a legislação tributária, notifica o contribuinte a pagar o imposto devido.

Segundo a advogada Lavínia Junqueira, especialista em tributação bancária do escritório Trench, Rossi e Watanabe, os bancos, às vezes, têm dificuldade de apresentar os documentos comprovando a existência do débito.
Desde o ano passado, a Receita priorizou o combate ao planejamento tributário abusivo pelos grandes contribuintes, o que elevou os valores das autuações a instituições financeiras. Em alguns casos, há equipes específicas de auditores designados para analisar a contabilidade de um só banco.

Neste ano, as autuações chegam a R$ 5,9 bilhões e incluem irregularidades como sonegação de impostos em fusões, em aquisições e em empréstimos entre bancos.

Em 2010, foram R$ 6,9 bilhões, valor maior do que o dos três anos anteriores somados. (LR)

OUTRO LADO

Febraban critica fisco por demora na fiscalização

Os bancos negam que haja irregularidades e dizem que a Receita Federal vem mudando o entendimento do que pode ou não pode ser feito na contabilidade.
O diretor da Comissão Tributária da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Carlos Pelá, afirma desconhecer as razões pelas quais a Receita Federal vem autuando os bancos no caso de perdas por causa da inadimplência dos clientes.

Ele acredita que essa deve ser uma questão pontual, que não foi discutida no âmbito da federação.

Em relação ao planejamento tributário em geral, ele explica que os bancos fazem o pagamento dos tributos -como o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro- com base no entendimento da época e que, muitas vezes, a Receita muda a interpretação até fiscalizar esse pagamento, o que pode levar até cinco anos.

"As empresas fazem essas operações baseadas em laudos técnicos e em conceitos consagrados. Eventualmente, [a Receita] passa a considerar errado o que era certo. Isso cria instabilidade jurídica na economia toda", afirma Pelá. (LR)


Fonte: Folha de S.Paulo

Metalúrgicos do ABC fecham acordo por dois anos com 5% de aumento real



Valor Econômico
Stella Fontes

Os metalúrgicos do ABC paulista aprovaram por unanimidade, na manhã de ontem, um acordo salarial que tem validade por dois anos. Essa é a segunda vez, nos 52 anos de história do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que se conquista uma negociação com prazo superior a um ano. O acerto que valerá até 2012 garante 5% de aumento real, além de abono de R$ 2,5 mil.

"Foi uma conquista difícil e importante para a categoria. Com esse acordo, conseguimos garantir previsibilidade e nos calçar contra possíveis impactos da crise internacional em 2012", afirma em nota o presidente da entidade, Sérgio Nobre. Conforme o sindicato, o agravamento da crise econômica nas economias maduras e o avanço dos importados no mercado brasileiro justificam esse acerto de médio prazo entre metalúrgicos e montadoras.

O acordo aprovado na assembleia que reuniu cerca de 10 mil trabalhadores, em São Bernardo do Campo, prevê que, no próximo mês, os empregados das cinco montadoras da base - Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz, Scania e Toyota - recebam 10% de reajuste, relativo à inflação acumulada no período, mais 2,55% de ganho real. O acerto garantiu ainda licença-maternidade de 180 dias.

Aos participantes da assembleia, Nobre destacou que esse acordo de dois anos garante o planejamento da vida financeira dos trabalhadores, bem como dos investimentos das montadoras, diante de um cenário de incerteza sobre os impactos da crise econômica entre 2011 e 2012.

O presidente do sindicato afirmou ainda na assembleia que o acerto, que torna desnecessária a campanha salarial de 2012, libera tempo para que o movimento sindical direcione sua atenção ao que é hoje considerado o maior problema da categoria, "o risco da desindustrialização provocado pelo crescimento das importações de veículos". "Temos de valorizar a produção nacional para garantir empregos de qualidade no Brasil."

Conforme ele, ao defender o acordo de dois anos nas negociações, a Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT (FEM-CUT) levou em conta ainda perspectivas para o segmento de caminhões. No próximo ano, a produção desses veículos no país poderá registrar queda, uma vez que, a partir de janeiro, torna-se obrigatória a adoção do motor Euro 5 (norma de controle de emissões), com reflexo de 15% nos preços dos caminhões. Diante disso, a indústria já verificou antecipação nas compras, o que deverá resultar em encolhimento das vendas no início de 2012. "O acordo de dois anos também protege a categoria, se isso ocorrer", explica o presidente do sindicato na nota.

De acordo com o sindicato, o acerto beneficiará 35,9 mil trabalhadores. A intenção é chegar aos mesmos termos nas negociações encampadas por outras categorias da região, como a de autopeças, o que envolve mais de 100 mil trabalhadores no total. "Nos demais grupos, prosseguem as negociações e a luta para garantir a mesma conquista", informa a entidade.

O sindicato informa ainda que, pelo acordo fechado ontem, os trabalhadores das montadoras terão reajuste salarial de 10% em 2011. O percentual corresponde a 7,26% de recomposição da inflação (medida pelo INPC), além dos 2,55% de aumento real. "Para o ano que vem, o reajuste será composto pela inflação do período mais a diferença dos 5%, que é 2,39%", acrescenta. O abono de R$ 2,5 mil será reajustado pelo INPC mais o aumento real.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Dia dos Bancários resgata luta e prepara início das negociações com Fenaban



Neste domingo, 28 de agosto, a categoria bancária comemora o seu dia. A data, definida há 59 anos para recordar uma das mais importantes greves da categoria, é uma referência histórica dos bancários e serve de exemplo para a mobilização da Campanha Nacional 2011, que já está nas ruas de todo o país, com foco no emprego decente.

Neste ano, a data ocorre no final de semana antes da primeira rodada de negociações do Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, com a Fenaban, que acontece nesta terça e quarta-feira, dias 30 e 31 de agosto, com foco no tema emprego e reivindicações sociais. A segunda rodada, com o tema saúde e condições de trabalho, será realizada nos dias 5 e 6 de setembro; e a terceira, sobre remuneração, no dia 13 de setembro.

Em 28 de agosto de 1951, começou uma das mais longas e vitoriosas campanhas salariais dos bancários. A categoria reivindicava um reajuste de 40%, salário mínimo profissional e adicional por tempo de serviço. A contraproposta dos patrões, de 20% de aumento, foi considerada insuficiente e os bancários decidiram entrar em greve. Foram 69 dias de paralisação, até que, em 5 de novembro, a Justiça concedesse um reajuste de 31%, pondo fim à paralisação.

O presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, ressalta que as conquistas trazidas com a greve histórica de 1951 devem ser resgatadas para lembrar aos bancários que não existem ganhos sem luta. Nenhum direito foi concedido pela generosidade dos bancos. "Nossa luta é por emprego decente com aumento real, proteção contra demissões imotivadas, fim das metas abusivas e do assédio moral, segurança contra assaltos, igualdade de oportunidades e aposentadoria digna", reivindica.

Cordeiro faz um chamamento aos bancários de todo o país. "Vamos combinar mobilização e negociação, a fim de mostrar aos bancos a importância de atender as reivindicações da categoria. A história mostra que as negociações só avançam com mobilização. Vamos intensificar a campanha nas ruas".

Os bancários reivindicam este ano reajuste salarial de 12,8% (aumento real de 5% mais reposição da inflação projetada em 7,5%), PLR de três salários mais R$ 4.500, piso do Dieese (R$ 2.297,51 em junho), plano de cargos e salários para todos, mais contratações, fim da rotatividade, reversão das terceirizações e banco para todos, sem exclusão e sem precarização.

História

A greve de 1951 foi a primeira contra o Decreto 9.070 da ditadura do Estado Novo, que proibia greves e amordaçava o movimento sindical dos trabalhadores. Foi um movimento pela liberdade sindical, em favor da democracia, contra os "atestados de ideologia" exigidos pelo Ministério do Trabalho dos candidatos a cargos sindicais, pela participação dos sindicatos na fiscalização das condições de trabalho e emprego, pela eleição de representantes dos bancários para a direção dos antigos Institutos de Aposentadorias e Pensões (o atual INSS) e pela participação dos sindicatos na fiscalização e elaboração das leis trabalhistas.

A data começou a ser comemorada já no ano seguinte, em 1952, por decisão do IV Congresso Nacional dos Bancários, realizado em Curitiba. Em 1957, a Assembleia Legislativa oficializou a data no Estado de São Paulo e, em 1959, o Congresso Nacional estendeu a data para todo o Brasil ao aprovar projeto do deputado federal bancário Salvador Romano Lossaco.

Veja as principais reivindicações dos bancários na Campanha Nacional 2011:

Reajuste Salarial
12,8% (5% de aumento real mais a inflação projetada de 7,5%)

PLR - Três salários mais R$ 4.500

Pisos
Portaria - R$ 1.608,26
Escritório - R$ 2.297,51
Caixa - R$ 3.101,64
1º Comissionado - R$ 3.905,77
1º Gerente - R$ 5.169,40

Vales Alimentação e Refeição e auxílio-creche/babá - R$ 545 cada

PCCS - Plano de Cargos, Carreiras e Salários

Auxílio-educação - pagamento para graduação e pós

Emprego
Ampliação das contratações
Fim da rotatividade
Combate às terceirizações
Garantia contra dispensas imotivadas (Convenção 158 da OIT)
Banco para todos, sem precarização

Outras prioridades
Cumprimento da jornada de 6 horas
Fim das metas abusivas
Combate ao assédio moral e à violência organizacional
Segurança contra assaltos e adicional de 30% de risco de morte
Previdência complementar para todos os trabalhadores
Contratação da remuneração total
Igualdade de oportunidades

Fonte: Contraf-CUT