sexta-feira, 17 de maio de 2013

Congressos nacionais dos bancários do BB e da Caixa começam nesta sexta

  
Comissão de Empresa do BB reunida na Contraf-CUT para preparar Congresso

Começam nesta sexta-feira 17, e vão até domingo 19, os congressos nacionais dos bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, organizados pela Contraf-CUT. Os dois eventos, que serão realizados no Hotel Holliday Inn, em São Paulo, mas em espaços separados, definirão as pautas de reivindicações específicas dos trabalhadores dos dois bancos públicos federais.

O 24º Congresso Nacional dos Funcionários do BB reunirá 260 delegados e delegadas de todo o país. Já o 29º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), que tem o apoio da Fenae, contará com a participação de mais de 360 delegados e delegadas. 

"O 24º Congresso deve ser realizado com muita unidade do funcionalismo para enfrentar os desmandos da direção do BB, que implantou um plano de funções unilateralmente com graves prejuízos aos trabalhadores e vem assediando de forma absurda por metas abusivas e desviando o papel do banco. Chegamos a um nível insuportável de desrespeito ao funcionalismo e às entidades sindicais", afirma William Mendes, secretário de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Nesta quinta-feira 16, os integrantes da Comissão de Empresa estiveram reunidos na sede da Contraf-CUT, preparando o Congresso.

"O Conecef é um momento importante para se debater o papel social da Caixa, as condições inerentes ao trabalho e ao cotidiano do bancário, além de ser momento de mobilização e organização da categoria para as negociações permanentes", avalia Jair Ferreira, coordenador da CEE/Caixa.

Veja aqui a programação e os temas do 24º Congresso do BB.

clique aqui para conhecer os temas e as atividades do 29º Conecef. 


Fonte: Contraf-CUT

terça-feira, 14 de maio de 2013

Interior do RS registrou 34 ataques a banco em 2013, estima sindicato


As agências bancárias se tornaram alvo de quadrilhas especializadas nos últimos anos. No Rio Grande do Sul, os assaltos têm ocorrido com frequência, inclusive envolvendo reféns. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Carazinho, foram 34 ataques no interior do estado somente nos primeiros cinco meses de 2013, como mostra a reportagem do Teledomingo, da RBS TV (veja o vídeo ). Os últimos crimes aconteceram em Fagundes Varela e Sarandi.

A rotina de tranquilidade de pequenas cidades do interior já não é mais a mesma. Foi quebrada pela violência das quadrilhas. As imagens do ataque no município de Sarandi, no Norte do estado, não saem da cabeça do aposentado Nilo Pazini. Três homens que fugiram do assalto buscaram refúgio na casa dele. "Daí eu disse para eles: vocês estão em segurança aqui dentro. Estamos fazendo isso aí para vocês. Vocês podem ter certeza que vão sair com vida", relata Nilo.

Imagens gravadas por moradores mostraram a ação dos bandidos. Enquanto saíam da agência bancária, eles usaram funcionários do banco como escudo humano para se proteger. Um empresário que passava pelo local foi obrigado a se juntar ao grupo. "Meu pavor maior era que viesse a polícia e houvesse troca de tiros. Muita gente chorando, rezando, em pânico", conta Joelson Chiossi.

O medo se confirmou e dois policiais militares foram levados como reféns. Na perseguição, o veículo colidiu contra outro carro e dois assaltantes correram para se esconder. Os demais roubaram uma caminhonete e invadiram o pátio de uma empresa, onde o aposentado Nilo Pazini mora com dois filhos.

"Fez parte da negociação que eles queriam ser presos pela Polícia Civil e eu disse que faríamos conforme eles estavam solicitando", lembra o delegado Edson Tadeu Cezimbra. Com desfecho feliz, o aposentado diz que os criminosos chegaram a agradecer. "O assaltante que estava comigo bateu nas minhas costas e disse: obrigado por salvar nossas vidas".

A tranquilidade da região, no entanto, seria novamente rompida dois dias depois. O alvo era uma cooperativa de crédito no município de Gentil, a 100 km de Sarandi. Disfarçados de pedreiros, criminosos renderam o gerente do local. "Fui calçado com revólver na cabeça e me disseram: abre o cofre, abre o cofre. Levaram todo o dinheiro, inclusive o que eu tinha na carteira", afirma o gerente, que preferiu não se identificar.

O Sindicato dos Bancários da região acredita que o grande número de assaltos têm feito com que muitos funcionários abram mão de trabalhar no interior. 

"Temos relatos diários. Tem gente trabalhando à base de remédio e tarja preta. O grau de estresse é tão grande que não consegue cumprir a jornada durante o dia nos bancos. Hoje fazem assalto em plena luz do dia no interior, com reféns e isso gera intranquilidade para o bancário dentro da agência. A pessoa não consegue mais trabalhar descansado", diz Antônio Federici, diretor do SindBancários de Carazinho.


Fonte: G1 RS

Cliente é assaltada dentro de agência no fim de semana em Volta Redonda

  
Uma mulher foi assaltada dentro de uma agência bancária de Volta Redonda no fim de semana. Andrea Esmeralda Cea, de 38 anos, informou na delegacia de polícia que estava na área dos caixas eletrônicos do banco, no Aterrado, quando foi rendida por um homem que queria que ela sacasse, inicialmente, R$ 1 mil.

Como disse que não tinha este valor na conta, o bandido exigiu que ela então sacasse R$ 500. Esmeralda ainda tentou, segundo relatou, bloquear o cartão digitando errado a senha duas vezes, mas o bloqueio não ocorreu. Ela acabou fazendo um saque de R$ 100, dinheiro que o assaltante pegou e saiu correndo em direção à Avenida Getúlio Vargas, no Centro. 

Fonte: Foco Regional - RJ

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Para Contraf-CUT, é preciso abolir a discriminação racial nos bancos


Bancários lembram 13 de maio e reforçam luta por igualdade de oportunidades

Em pleno século 21, os bancários ainda sofrem no cotidiano diversas formas de discriminação no Brasil. Entre elas se encontram aquelas institucionalizados nos bancos, que perpetuam modelos de desigualdades e exclusão. São as discriminações indiretas observadas na contratação de pessoas negras, com menor remuneração e ascensão profissional diferenciada se comparadas com os brancos.

"Os bancos, que se dizem modernos e comprometidos com a responsabilidade social, deveriam enfrentar essa realidade vergonhosa, adotando medidas específicas e eficazes de inclusão e integração racial e social", denuncia Andrea Vasconcellos, secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT. 

Para ela, as políticas de ações afirmativas são instrumentos essenciais para resolver problemas históricos de distorções salariais, desigualdades, exclusão e segregação no sistema financeiro.

13 de maio

A Contraf-CUT orienta a realização de atividades de luta contra o racismo, aproveitando a passagem do dia 13 de maio, data da abolição da escravatura, sob o mote "Vamos abolir a discriminação e promover a inclusão: Por mais contratações de negros e negras". 

Um novo material específico alusivo ao 13 de maio foi disponibilizado pela Contraf-CUT aos sindicatos e federações, na seção de download na área restrita deste site, visando a distribuição aos bancários. 

Clique aqui para ler o material da Contraf-CUT.

As atividades dão continuidade ao processo de mobilização definido durante o 1º Fórum sobre Invisibilidade Negra no Sistema Financeiro, realizado pela Contraf-CUT em novembro de 2011, em Salvador. As entidades presentes ao evento firmaram uma carta compromisso para reforçar o combate à discriminação racial. 

"É necessário que o movimento sindical continue engajado, principalmente fazendo atividades e reflexões em datas como esta, pois ainda falta muito para abolir de vez a exclusão em que vive essa parcela importante da população brasileira", afirma Deise Recoaro, secretária de Mulheres da Contraf-CUT.

Abolição da escravatura sem inclusão social dos negros

A data lembra a assinatura da Lei Áurea em 1888 (125 anos atrás), que aboliu formalmente a escravidão de negros e negras no Brasil. Porém, não eliminou os preconceitos e as discriminações entre homens e mulheres, entre brancos e não brancos. 

"Por essa razão, o dia 13 de maio se configura como um momento importante para reflexão, denúncia, mobilização e luta contra todas as formas de manifestações de racismo", salienta Andrea. 

Discriminação nos bancos

A discriminação é bastante visível quando se observa a composição dos altos cargos nos bancos, como diretorias, conselhos de administração e superintendências, bem como nos demais níveis hierárquicos e de composição do quadro de funcionários, como operacional, técnico gerencial e administrativo. 

Um exemplo é o conselho do Banco do Brasil, que tem 35 homens e nenhuma mulher. Destes, 31 são brancos, um amarelo, um pardo e duas pessoas não informaram sua raça, conforme relatório de sustentabilidade do banco.

Há 2.623 pessoas negras no BB, apenas 2,3% dos funcionários. Quando somamos negros, pardos e índios, o número é de 22.862 trabalhadores, significando 20,08% do quadro, o que expressa uma baixa participação ao considerarmos o total de 113.810 trabalhadores da instituição. 

Se nos bancos públicos, onde a contratação acontece via concurso público, a presença de negros e de negras é tímida, nos bancos privados a realidade é bem pior. "É necessário revelar a cor da exclusão no sistema financeiro e dar um basta à desigualdade racial ainda presente nos bancos públicos e privados com a implantação de ações afirmativas de inclusão", ressalta Andrea. 

Outra face da moeda: preconceito e racismo

No Brasil, banqueiros são como castas "intocáveis" e "superiores". Eles são, na sua ampla maioria, homens e brancos e mantêm uma estrutura de poder social e racial utilizada para definir lugares de poder e privilégios. 

A realidade permite observar que não há igualdade de oportunidades, de tratamento e de direitos entre brancos e negros no sistema financeiro. 

"Os altos lucros comprovam que os bancos têm condições financeiras para implantar programas de inclusão e demonstrar na prática a responsabilidade social que tanto apregoam nos seus relatórios", enfatiza Andrea. "Mas o que os banqueiros fazem é manter as desigualdades, além de praticar a rotatividade e demitir milhares de trabalhadores, agindo na contramão do crescimento com desenvolvimento econômico e social do país", aponta.

Injustiças

O sistema financeiro fere o princípio da igualdade diariamente. Executivo de bancos recebem milhões de reais em bônus e participação nos lucros, enquanto um funcionário de atendimento ganha uma PLR em torno de R$ 6 mil. 

"Esse abismo que separa a remuneração do alto escalão e dos trabalhadores da rede de agências é apenas um exemplo da absurda concentração de renda, que é totalmente injusta, descabida e intolerável", protesta a diretora da Contraf-CUT.

2º Censo da Diversidade

Na última reunião da Mesa Temática de Igualdade de Oportunidades com a Fenaban, ocorrida no dia 27 de março, em São Paulo, ficou definido o planejamento do 2º Censo da Diversidade, que deverá ser executado em 2014, conforme foi conquistado na Campanha Nacional dos Bancários de 2012. 

"Conseguimos garantir a participação do movimento sindical em todo o processo de construção do 2º Censo, desde a elaboração dos questionários, acompanhamento e divulgação dos resultados. Essa era uma reivindicação antiga para garantir transparência em todo processo", destaca Andrea.

Para ela, "o levantamento será um importante diagnóstico sobre a cara da desigualdade no sistema financeiro, estimulando novas ações de inclusão contra todas as formas de discriminação, racismo e preconceito que contrastam com a alta rentabilidade e os lucros abundantes do sistema financeiro no Brasil", conclui a dirigente da Contraf-CUT.


Fonte: Contraf-CUT

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Para especialista, a CLT "não cristalizou" ao longo de seus 70 anos


Crédito: Aldo Dias - TST
Aldo Dias - TSTProfessora Gabriela Delgado, durante palestra em sessão solene do TST

"A CLT 'não cristalizou' ao longo de seus 70 anos". A afirmação foi feita pela professora e doutora Gabriela Neves Delgado, ao proferir palestra com o tema "A CLT aos 70 anos: rumo a um Direito do Trabalho Constitucionalizado", durante a solenidade de comemoração aos 70 anos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), nesta quinta-feira (2), no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília. 

Na oportunidade, a especialista em direito trabalhista observou que a CLT criou "o mais eficiente sistema processual da realidade jurídica e institucional do país", composta de regras simples e objetivas, que permitem auxiliar os juízes do trabalho na busca de soluções para os diversos litígios na área do Direito do Trabalho.

A professora ressaltou que a Constituição Federal de 1988 foi sábia ao permitir que a Justiça do Trabalho se instalasse em todo o Brasil, lembrando que esta justiça especializada conta hoje com 24 Tribunais Regionais do Trabalho, mais de 1.370 Varas do Trabalho e mais de 2.300 Juízes do Trabalho, exercendo suas atividades no Primeiro Grau de jurisdição. 

A doutora salientou que pode-se observar que, passados 70 anos desde a sua criação em 1943, a CLT ainda "mantém a sua importância como um diploma definitivo dentro da realidade jurídica, politica, econômica e social brasileira".

Após um breve histórico sobre a criação da CLT e a extensão de diversos direitos propiciados pela promulgação da Constituição Federal em 1988, a especialista constatou que o avanço lançado pela CLT em termos de proteção social regulada e econômica da classe trabalhadora "é significativo e vem em um caminho crescente", se considerarmos que a ela foi elaborada para trabalhadores urbanos exclusivamente, e hoje protege e regulamenta o trabalho de 40 milhões de trabalhadores urbanos, rurais, domésticos e avulsos, que recebem os direitos constitucionais trabalhistas.

A especialista enfatizou ainda que a CLT se mantém em um "tempo criador", na medida em quem regula a relação capital e trabalho, e mantém, no centro da sua produção normativa, o direito fundamental ao trabalho. 

Ao final, a professora afirmou que, após 70 anos, a CLT "não cristalizou com a passagem do tempo", pois hoje, amparada pela interpretação constitucional, ela ainda mantém força e compromisso social para regular o sistema de proteção de milhões de trabalhadores brasileiros. Assim, entende que a CLT, ao longo de sua existência, obteve uma maturidade legislativa e "caminha hoje rumo a um direito do trabalho constitucionalizado".


Fonte: TST

Organizacão sindical levou à conquista de direitos sociais, diz pesquisadora

  
Os trabalhadores organizados foram fundamentais para a conquista de direitos sociais no Brasil, principalmente após a redemocratização, avalia a pesquisadora Dulcinéia Duarte, que escreveu um artigo sobre o tema para o relatório O Protesto Social na América Latina, publicado em abril pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, (Pnud), ligado à ONU.

"Os sindicatos fazem a mediação Estado-trabalhador e sem ela a conquista de direitos torna-se quase inviável", afirmou. "As organizações de trabalhadores foram conquistando espaços institucionais, o que culmina com a vitória do Partido dos Trabalhadores em 2002." 

"A força da CUT foi fundamental para fazer com que um trabalhador se tornasse presidente da República. Não há muitos casos como esse no mundo", disse Dulcinéia. Ela também lembrou que os trabalhadores conseguiram "amortizar e frear as políticas neoliberais no país".

Leia a entrevista:

No estudo O Protesto Social na América Latina, do PNUD, as lutas dos trabalhadores organizados são apontadas como iniciativas bem-sucedidas no Brasil. Por que esse grupo teve sucesso?

A trajetória das lutas dos trabalhadores no Brasil é muito diferente das dos outros países da região. Creio que essa singularidade tem origem no protagonismo do movimento sindical nos últimos anos da década de 1970. Neste momento, os sindicatos tiveram a capacidade de atuar como um campo magnético atraindo diferentes tipos de organizações e conquistando legitimidade no espaço político. 

Naquele momento, mais do que a pauta laboral, o que estava em jogo era a questão da abertura democrática do país. Depois dela, as organizações de trabalhadores que decidiram se manter no campo da política formal foram conquistando espaços institucionais, o que culmina com a vitória do Partido dos Trabalhadores em 2002. 

Nos dez anos de gestão do PT, observam-se melhorias significativas, sobretudo no que se refere às políticas sociais e educacionais, porém, se pensarmos nas reivindicações especificamente laborais, o avanço foi bem menor. Comparado aos outros países da região, o Brasil é um caso bem-sucedido, muito pela chegada do Partido dos Trabalhadores à presidência.

O estudo destaca que houve uma perda de centralidade política dos trabalhadores na América Latina, exceto no Brasil. Por quê?

É inegável que esse processo tem relação com a chegada do PT à Presidência da República. Essa gestão tem conseguido manter, e com certa maestria, o apoio dos sindicatos e partidos, formando alianças fundamentais para a governança.

Qual a importância dos movimentos de trabalhadores para a conquista de direitos na região? E no Brasil?

No Brasil, os primeiros direitos assegurados pelo Estado foram os sociais e os movimentos dos trabalhadores tiveram um papel importante neste processo: através de diferentes estratégias forçaram o Estado a reconhecer novos direitos e ampliar tanto a noção de cidadania como também a de quem eram os sujeitos de direitos. O melhor exemplo é a constituinte de 1988, que conseguiu pactuar o texto com uma série de garantias.

A CUT é destacada como um bom exemplo na América Latina. Por que ela foi considerada uma entidade bem-sucedida?

A CUT é a maior central sindical do Brasil e da região e está entre as dez maiores do mundo. Essa força foi fundamental para fazer com que um trabalhador se tornasse presidente da República. Não há muitos casos como esse no mundo. Além disso, o que vários estudos apontam é que a confiança nos atores políticos tradicionais vem diminuindo, inclusive no Brasil. Contudo, a CUT é uma das maiores forças políticas do país.

Como a luta dos trabalhadores contribuiu para impedir que a crise econômica provocasse desindutrialização e desemprego no Brasil? A CUT e demais entidades sindicais estiveram envolvidos nesse processo? Como?

O que evitou que a crise econômica provocasse desindutrialização e desemprego no Brasil foi, principalmente, uma política de Estado. Entretanto, a resistência dos trabalhadores foi fundamental nos locais e setores em que a crise fez-se sentir de maneira mais aguda. A CUT e alguns outros sindicatos tiveram um papel relevante não só nessa resistência como também nas próprias medidas tomadas pelo Estado. Os sindicatos fazem a mediação Estado-trabalhador e sem ela a conquista de direitos torna-se quase inviável. 

O estudo traça um retrospecto da questão trabalhista desde a década de 1980. Como os trabalhadores organizados contribuíram com a redemocratização do país?

Na época da abertura política os trabalhadores conseguiram formar um campo imenso em torno do qual se aglutinaram diferentes forças políticas, em função de um acordo tático, que era a abertura democrática. Essa foi uma experiência muito rica, mas que não foi suficiente para por o fim à ditadura. Tal processo foi negociado de cima para baixo. A formação deste campo foi fundamental para que na nova ordem vários temas já estivessem colocados para a sociedade e no debate político. Assim, os trabalhadores foram mais importantes nas conquistas políticas que vieram posteriormente.

E para evitar a perda de direitos no período neoliberal?

Tivemos derrotas: privatizações, fechamento de indústrias, a reforma da Previdência e, infelizmente algumas tantas outras. Porém, ao atuar como uma entidade classista e, ao mesmo tempo solidária aos demais setores, foi possível amortizar e frear as políticas neoliberais no país.


Fonte: Rede Brasil Atual

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sob pressão, cai spread do Itaú, Bradesco e Santander no primeiro trimestre


Carolina Mandl e Karin Sato
Valor Econômico


Um ano depois do início da empreitada da presidente Dilma Rousseff para reduzir os juros cobrados pelos bancos, não há como negar que o saldo foi positivo para o governo. Em menor ou maior grau, o spread dos três maiores bancos privados - Itaú Unibanco, Bradesco e Santander - caiu, puxado por Caixa e Banco do Brasil.

Um sinal evidente do impacto dos spreads mais baixos é a redução nos ganhos com intermediação financeira. Mesmo com a expansão do crédito ao longo do ano, a chamada margem financeira do trio somou R$ 29,9 bilhões no primeiro trimestre de 2013, cifra 6,6% menor do que em igual período de 2012.

Esse foi o fator que mais impediu uma expansão vigorosa do lucro de Itaú Unibanco (1,3%) e Bradesco (4,5%), na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. No caso do Santander, houve uma queda de 29,6%.

Mas não foi só a pressão do governo que pesou para a retração dos spreads. Mudança no mix de crédito para linhas de empréstimos menos arriscadas e Selic mais baixa do que um ano atrás também contribuíram para isso.

É uma tendência que nem analistas nem banqueiros enxergam como reversível daqui para a frente. Durante teleconferência, o Bradesco já sinalizou a investidores que até o fim de 2013 seu spread ainda cairá mais. Em um ano, o spread de crédito do banco caiu 0,7 ponto percentual, para 10,3%.

O vilão do Bradesco foi o cartão de crédito. No fim de 2012, o banco reduziu os juros mensais cobrados na linha rotativa de 14,9% para 6,9%. Segundo estimativas de Luiz Carlos Angelotti, diretor de relações com investidores do Bradesco, a medida pode ter um impacto negativo em seu lucro líquido deste ano em torno de 2% e 3%.

É com volumes maiores de operações que o Bradesco pretende incrementar no futuro o spread mais baixo, estratégia similar àquela propagada pelos bancos públicos.

No Itaú, além da pressão por crédito mais barato, o banco está mudando a composição do portfólio de crédito. Operações mais arriscadas, como o financiamento de veículos, cedem lugar a linhas com garantia, como o crédito imobiliário e o consignado. Em boa parte, isso determinou a queda de 1,8 ponto percentual do spread de crédito em 12 meses, para 11,6%.

"A compressão sobre as margens deve continuar, mas as despesas com provisões vão compensar esse declínio", disse Rogério Calderón, diretor de controladoria do Itaú, em entrevista a jornalistas. Daqui para a frente é com a queda da inadimplência que o banco pretende compensar o spread menor.

O Santander também vem mudando o mix da carteira. Marcial Portela, presidente do banco, ressaltou que o rotativo, de margens mais altas, vem cedendo espaço a outros tipos de empréstimo. O spread do banco ficou em 11,3%, ou 1,1 ponto percentual menor do que um ano antes.


Fonte: Valor Econômico