A queda do emprego ocorreu em função do saldo negativo em 1.209 postos detrabalho nos bancos múltiplos com carteira comercial, atividade que engloba grandes instituições financeiras como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil. Já a Caixa Econômica Federal abriu 3.492 empregos, o que evitou que o setor apresentasse desempenho negativo.
Esses dados são da 14ª edição da Pesquisa de Emprego Bancário, realizada trimestralmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.
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A abertura de 2.350 vagas no primeiro semestre representa uma expansão de apenas 0,46% no emprego bancário. Além disso, na comparação com o saldo de 1.047.914 empregos gerados em todos os setores da economia na primeira metade do ano, os bancos contribuíram com apenas 0,22% do total.
"O setor de maior lucratividade da economia brasileira não pode ter uma contribuição tão ínfima para a geração de empregos", critica o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro. "Não podemos aceitar essa falta de responsabilidade social dos bancos com o crescimento econômico e o desenvolvimento do país."
Alta rotatividade reduz massa salarial
A pesquisa mostra que entre janeiro e junho os bancos contrataram 23.336 empregados e desligaram 20.986. Já a remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.708,70 e a dos desligados de R$ 4.193,22, o que representa uma diferença de 35,40%. Na economia brasileira como um todo, a diferença entre a média salarial dos contratados é 7% inferior à média salarial dos demitidos.
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"Essa alta rotatividade nos bancos é uma jabuticaba, na medida em que só existe no Brasil, sendo utilizada para travar a expansão da massa salarial e aumentar ainda mais os lucros", denuncia Cordeiro.
Nas campanhas nacionais realizadas entre 2004 e 2011, os bancários conquistaram aumentos reais de 13,9% nos salários e 31,7% nos pisos salariais na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). "No entanto, com o efeito da rotatividade, o impacto dos ganhos foi drasticamente reduzido pelos bancos e o aumento real médio ficou em torno de 3,6%, prejudicando a melhoria da renda dos bancários e favorecendo o crescimento dos lucros das instituições financeiras", destaca o presidente da Contraf-CUT.
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A rotatividade no setor bancário tem sido um pouco superior a 7% ao ano. Embora essa taxa seja inferior àquela observada no conjunto dos setores econômicos, o efeito geral sobre a remuneração dos bancários é maior, dado que a diferença de remuneração existente entre o trabalhador desligado e o admitido é próxima de 38%, enquanto que no conjunto dos setores é de apenas 7%.
Rotatividade e Diferença de Remuneração
Brasil - 2010
Taxa de Rotatividade
|
Diferença de Remuneração Admitidos e Desligados
| |
Todos os setores
|
36,0%
|
-7%
|
Setor Bancário
|
7,4%
|
-38%
|
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego - Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).
Elaboração: DIEESE - Rede Bancários.
Através da substituição anual de 7,4% dos bancários, por outros com remuneração 38% inferior, conforme dados da RAIS de 2010, os bancos reduzem os impactos dos ganhos conquistados pelos bancários nas campanhas nacionais.
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"A rotatividade é uma política extremamente danosa à categoria porque, além de rebaixar a média salarial, deixa os bancários permanentemente em tensão por medo de demissões", acrescenta. "Isso é uma violência contra os trabalhadores. O sistema financeiro não enfrenta nenhuma dificuldade no Brasil. Pelo contrário, só os cinco maiores lucraram R$ 50,7 bilhões no ano passado. E três deles (Itaú, Bradesco e Santander), que já divulgaram os balanços do primeiro semestre, obtiveram lucros de R$ 16 bilhões", aponta o dirigente da Contraf-CUT.
Mulheres entram e saem ganhando menos
Os dados do Caged mostram também que os homens foram maioria tanto entre admitidos quanto entre desligados no primeiro semestre, assim como ingressaram e saíram recebendo salários maiores do que as mulheres. Eles entraram com uma renda média de R$ 3.087,69 enquanto elas ficaram com R$ 2.311,14. Eles foram desligados ganhando em média R$ 4.848,99 e elas, R$ 3.477,45.
"Essa diferença de remuneração revela que as mulheres continuam sendo discriminadas nos bancos, o que reforça a luta dos bancários por igualdade de oportunidades e de tratamento", avalia Cordeiro.
Admitidos, desligados e remuneração média por sexo
janeiro a junho de 2012
Gênero
|
Admitidos
|
Desligados
|
Saldo
|
Diferença da Rem. Média (%)
| ||||
Nº de trabalhadores
|
Part. (%)
|
Rem. Média
(em R$) |
Nº de trabalhadores
|
Part. (%)
|
Rem. Média
(em R$) | |||
Masculino
|
11.947
|
51,2%
|
3.087,69
|
10.952
|
52,2%
|
4.848,99
|
995
|
-36,32%
|
Feminino
|
11.389
|
48,8%
|
2.311,14
|
10.034
|
47,8%
|
3.477,45
|
1.355
|
-33,54%
|
Total
|
23.336
|
100,0%
|
2.708,70
|
20.986
|
100,0%
|
4.193,22
|
2.350
|
-35,40%
|
Fonte: MTE. Caged
Elaboração: DIEESE - Rede Bancário
Bancos contratam jovens e desligam experientes
O levantamento revela também que os bancos contratam, sobretudo, jovens. As faixas etárias com saldo positivo de emprego são as que reúnem trabalhadores com até 29 anos, com destaque para a referente a pessoas com idade entre 18 e 24 anos, para a qual o resultado foi positivo em 6.288 postos. Para trabalhadores a partir de 30 anos, o saldo de empregos torna-se negativo para todas as faixas etárias.
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Formação profissional não garante emprego
Em relação à escolaridade, a pesquisa aponta que os maiores saldos de emprego se referem aos trabalhadores com ensino médio completo e com superior incompleto. Para trabalhadores com ensino superior completo foram fechados 3.242 postos de trabalho.
O elevado saldo positivo observado para escolaridade ensino médio completo é, provavelmente, reflexo da concentração da geração de empregos na Caixa.
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"Esses números revelam que ter curso superior completo e mesmo pós-graduação não garante emprego no sistema financeiro, o que mostra que o banco não olha para a formação profissional de seus trabalhadores, mas sim para a remuneração e a folha de pagamento, na lógica perversa de reduzir custos para turbinar ainda mais os lucros", observa indignado o presidente da Contraf-CUT.
Recuperação lenta do emprego bancário
Desde 2001 o setor bancário apresenta contínuo crescimento de empregos, passando de 392 mil para 509 mil em junho de 2012. Durante a década de 1990, esse estoque teve queda de 46%, especialmente, devido ao processo de reestruturação produtiva que atingiu diversos setores da economia brasileira no período. É possível, portanto, caracterizar a última década como um período de recuperação de postos de trabalho.
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"Apesar da redução do PIB e das turbulências internacionais no primeiro semestre, nada justifica o freio do sistema financeiro brasileiro na geração de empregos, uma vez que os bancos permanecem lucrando muito", salienta o presidente da Contraf-CUT.
Conforme mostram os Relatórios de Administração dos bancos que já publicaram balanços do primeiro semestre, o setor continua apresentando trajetória positiva em todos os seus indicadores, excetuando-se os de emprego. Além disso, mesmo ao se observar a redução da geração de empregos em todos os setores da economia - incluindo setores mais sensíveis à baixa expansão do PIB como serviços e construção civil -, nota-se que a redução do crescimento foi menos acentuada do que no sistema financeiro.
"Os bancos possuem uma enorme dívida social com o emprego no Brasil. O atual número de postos de trabalho é insuficiente para melhorar as condições de trabalho dos bancários e garantir atendimento de qualidade para a população. Além disso, a rotatividade é um truque injustificável e perverso para a economia, uma vez que retira o emprego de trabalhadores, onera os cofres públicos com a elevação do seguro-desemprego e não contribui para o desenvolvimento sustentável do país com distribuição da renda e inclusão social", conclui Cordeiro.
Fonte: Contraf-CUT
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